A Voz que me devolveu a voz!
Fernando Moraes
Falar do VOZ de IBIÚNA é falar da Júlia Tanaka, uma pessoa que tem enorme importância na minha vida, e por isso mesmo é difícil escrever sobre a última edição do tradicional periódico ibiunense sem que escorram algumas lágrimas. Prometo que conseguirei. O fato é que tenho uma relação muito pessoal com o jornal, muito além de qualquer atividade profissional que tenha exercido.
Já lia o VOZ desde a adolescência, com textos de intelectuais que admirava muito, como Geraldo Martins e Claudino Piletti, grandes referências para mim. Mas, meu contato com a Júlia se deu, inicialmente, nos corredores da Câmara de Vereadores de Ibiúna. Eu havia acabado de lançar o Jornal do Povo, do grupo da Folha de Piedade, e assim começamos uma relação de coleguismo, de admiração mútua. Eu com meus 18 anos, estudante de jornalismo, me aventurando junto a pessoas com anos de história na comunicação e na política ibiunense. Aprendi muito.
Mas foi no ano 2000, o ano mais difícil da minha vida, que… desculpa, aqui as lágrimas já estão jorrando, promessa descumprida com sucesso. Enfim, foi naquele ano de grandes tragédias, uma delas atingindo em cheio a minha família, que a Júlia me estendeu a mão de uma maneira fraterna, como jamais poderia imaginar. E o VOZ, sem saber, me devolveu a voz, pois eu já estava decidido a parar, mudar, calar… Graças ao jornal – e também aos amigos do Sindicato dos Trabalhadores e Empregados Rurais que me integrou à equipe quando saí do Jornal do Povo por divergências ideológicas –, pude continuar com minha missão profissional.
Desde então, a Júlia, e por consequência o jornal e sua equipe, ganharam peso e respeito muito grandes de minha parte. Foi com o apoio do jornal que fizemos campanhas, mobilizações, atos, protestos, que surtiram efeitos tanto na esfera da segurança pública, quanto na política em si.
Os anos se passaram e eu me tornei, por um bom tempo, colaborador do jornal. Sempre com liberdade, pois a Júlia nunca sugeriu o corte de uma única linha dos meus textos, apesar de sempre dizer: “Tenta escrever pouco, pois o jornal é pequeno, não tem muito espaço”. E lá vinha eu com textão, que o Carlinhos (diagramador, à época) dava um jeito de fazer caber.
Não dá para dizer tudo aquilo que gostaria a respeito do VOZ e da Júlia, minha madrinha, pois, como ela mesma diz, o “espaço é curto”. Mas quero dizer que, em cada uma das palavras que escrevi acima, tem um calhamaço inteiro de emoções e sentimentos de amor, carinho e gratidão. O VOZ deixará saudades. Mas espero para ver as próximas aventuras da Júlia que, sendo esta mulher imparável, certamente irá continuar!