Colunistas

Um sentimento de gratidão

Carlinhos Marques

Foi no fim de 2004 que eu comecei a aprender a trabalhar com artes gráficas, na redação do VOZ, naquele fim de ano em que a equipe preparava a edição do Fone-Fácil 2005 – a inesquecível publicação com ‘Furnas’ na capa. Estava quase para completar 16 anos e aquele “primeiro emprego” iria conduzir o rumo da minha profissão e vida pública. Comecei aprendendo a fazer anúncios, ainda bem inexperiente, e depois passei a ajudar na diagramação do jornal, como auxiliar do Henrique Hikiya e, às vezes, do Silvio Barros Chaves, até pegar o jeito e me tornar diagramador e arte final do jornal. Esse início, faz, exatamente, 20 anos.
Foi graças ao VOZ que decidi estudar Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda inicialmente. A simpatia pelos textos do jornal, a revisão minuciosa do brilhante Geraldo Vicente Martins e da queridíssima professora Mariza Pola foram que me despertaram o desejo de, além da área gráfica, me aventurar também nos textos, até que, anos mais tarde, também alcancei a certificação de jornalista. De aprendiz, para diagramador, arte final até jornalista responsável e revisor. O aprendizado que o VOZ proporcionou não obtive em nenhuma aula na universidade – aqui também não poderei esquecer de mencionar o meu amigo Fernando Moraes, colaborador, jornalista e revisor por um bocado de tempo.
Foi graças ao VOZ que passei a acompanhar as sessões na Câmara dos Vereadores e a escrever sobre os assuntos relacionados; a também tecer opiniões, em textos, sobre os acontecimentos políticos da cidade. Foi, portanto, graças ao VOZ que nasceu o desejo de ser também um representante legislativo do município, o que me levou, em 2012, a ser candidato a vereador e vencer as eleições, aos 23 anos, tornando-me o presidente da Câmara mais jovem da história da cidade, no ano seguinte.
Mesmo quando estive trabalhando fora de Ibiúna, seja na Assembleia Legislativa ou até mesmo por um breve período na Câmara dos Deputados, continuei colaborando como revisor e jornalista do jornal, nos anos mais recentes. Na última eleição, novamente disputei uma cadeira no legislativo e fui eleito. Retorno ao legislativo em janeiro. Não vou me esquecer, jamais, que essa vocação foi despertada graças ao VOZ de IBIÚNA.
São muitas lembranças, muitas pessoas que passaram pela redação e, com cada um, um novo aprendizado e a compreensão de diferentes visões de mundo, sempre com respeito coletivo a democracia e a liberdade de expressão com responsabilidade.
No início, editávamos o jornal e, altas horas da noite, gravávamos o arquivo em CD e levávamos para a gráfica, normalmente em Osasco ou São Paulo. Esperávamos a impressão e no dia seguinte iniciávamos a distribuição. Quando contamos, alguns não acreditam, mas nas madrugadas o serviço rendia mais e, por ser pequena equipe, algumas vezes varávamos a noite, principalmente nessa época do ano, quando coincidiam a edição do jornal e do Fone-Fácil. A edição do guia (Fone-Fácil), desde 2004, era minha ocupação em janeiro, principalmente, com um trabalho extremamente cansativo. Por vezes, a dona Júlia ligava altas horas da noite para dizer que tinha um cliente esperando para ver a arte do anúncio na manhã seguinte ou que precisávamos entrar com o material na gráfica no início de fevereiro – o que nunca aconteceu (risos). Era engraçado, as vezes, eu havia saído fazia alguns minutos, mas ela ligava dizendo: “você não sabe o que eu esqueci”.
Se for contar tantas histórias memoráveis dá para escrever um livro. Mas, por fim, o “espaço é curto”, quero dizer que quando escrevo graças ao VOZ estou me referindo a uma pessoa em especial, a minha mãe adotiva Júlia Tanaka – como sempre brincávamos. O jornal completou 35 anos, tem, justamente, a minha idade; nesse mês de dezembro, completei 20 anos em que atuei, de alguma forma, para colaborar na produção do VOZ de IBIÚNA.
Como sou grato a dona Júlia e ao dr. Jodi. Foram mais do que patrões, pessoas com quem aprendi muito e tenho imenso carinho. A comunicação, o jornalismo, a política e a vida pública em minha vida surgiram graças a eles. Nesse fim de um ciclo são muitos sentimentos, resumidos em uma única palavra: gratidão!

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