Encarecer e Engessar a Educação - Jornal VOZ de IBIÚNA

Encarecer e Engessar a Educação

Sebastiana Godinho Delfim

No dia 06 de Abril, foi divulgada, pelo MEC, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o Ensino Fundamental. Na mesma semana, em nosso município, vazou a informação de que a Secretaria da Educação pretende apostilar a Educação Infantil.

A Base Comum Curricular estabelece o que as crianças terão de aprender da Educação Infantil ao fim do Ensino Fundamental. Um roteiro único, para escolas públicas e particulares, exige que o ciclo de alfabetização cumpra-se até o 2º ano. A meta anterior (Resolução nº 07 do CNE de 14/12/2010) prescrevia que o ciclo de alfabetização se concluísse até o 3º ano. Lamentavelmente temos crianças analfabetas em anos escolares que estão bem além dessa exigência.

O momento exige uma política educacional mais clara, justa e adequada em todo o país. Deve começar nos municípios, pois em menor escala é possível discutir, integrar esforços e oferecer ao Estado marcos orientadores para uma educação de qualidade para todos. Os municípios têm autonomia e responsabilidade de sair da obscuridade e estabelecer uma política educacional com metas claras, compatíveis com a vida contemporânea. Em uma esfera municipal é viável cumprir o ciclo de alfabetização até o 2º ano. E difícil, mas não é impossível ajudar a criança a descobrir O QUE a escrita representa e COMO se cria à escrita.

Essa aprendizagem não ocorre da noite para o dia pela mera transmissão de informações pelo professor ou por quem o substitua, muito menos por atividades “prontas” da página tal à página tal, pois o aprendiz não é um sujeito passivo. O professor deve mediar (ajudar) a criança rumo ao seu objetivo, mas essa caminhada não pode ser engessada para “facilitar” um trabalho que nunca foi e jamais será fácil.

Somente com uma Gestão Democrática é possível aumentar em qualidade e proporção a fatia do “bolo” (FUNDEB) que será servida aos protagonistas da educação. Os responsáveis em fatiá-lo não podem encarecer tampouco engessar em apostilas o “desenvolvimento” da aprendizagem infantil. Certamente será mais um ralo para escoar o escasso dinheiro público destinado à Educação.

Postado em 24, maio, 2017

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